13 de dezembro de 2009

Catingueira

13 de dezembro de 2009
Seus olhos me fazem estranho
que até abaixo os meus.
Quando passo sou palavra
mal dizida ou bem dizida
com cochicha e rabo espicha.

Estranho em terra de gente
sou o outro que não eu.
Sou palavra construída,
costurada em fuxico,
sentada numa praça,
ou em mesa de bilhar.

Sou o dono da verdade,
o carrasco em plena rua.
O monstro lá de longe
que come carne crua.

Sou de todos o que todos
querem que seja!
Goste ou não goste
tenho que comer.

Afinal,
não sou meu eu
nem o de vocês.
Sou construção!


George Ardilles
Catingueira - PB

3 de dezembro de 2009

(...)

3 de dezembro de 2009
Os patos estavam lá.
Também os pássaros como de outra vez.
Lá as árvores também rosam, amarelam, brancam.
Na época da primavera era mais.
No outono era sem cor
ou cor de solidão.

Os bancos que lá têm
não sentam pessoas.
Daí os bichos mudam o sentido.

Lá,
muitas palavras se fazem.
Palavras feitas de solidão.
São de lá e de longe.

Tem palavras que são e outras que não.
Elas apenas...

Lá nunca vão humanos.
Por isso não tem palavras.

Os mais próximos dos humanos que tem,
são os que procuram palavras,
uma por vez,
na praça da solidão.


George Ardilles
Praça da Alegria - UFPB

25 de novembro de 2009

(...)

25 de novembro de 2009
Aquele quarto,
sempre segredo,
nunca abriu.

Todo mundo olhava por entre.

Entre janelas,
entre portas,
entre telhados.

Era comum sempre sair
um ou dois.
Mais um que dois.
O dois era de pouca vez.

Entre ouvidos
sempre vinham barulhos
que saiam daquele quarto.

Pelos barulhos,
imaginavam-se os segredos.
Mas eram segredos de ouvido.

Segredos de ver
ainda é segredo.
O um ou dois segredam disso.
O três ou mais
ficam segredando sem saber.


George Ardilles

22 de novembro de 2009

George Ardilles fala do livro Poemas de Meio-fio ao programa Universo Acadêmico da TV Master na Parahyba.

22 de novembro de 2009

20 de novembro de 2009

(...)

20 de novembro de 2009
A palavra prende
entre o dente e a boca.
Um misto de raiva e cansaço.

Às vezes me pergunto se os animais
sofrem de raiva.
Acho que não.
Eles não têm tecnologia para a raiva.
Aliás, só os homens e as mulheres
sofrem de tecnologia.

Com suas devidas ressalvas,
sofrem de computadores,
sofrem de televisão,
de jogos e de novelas.

O homem deixou de ser animal
e passou a ser computador.
Por isso ele sofre daquilo que é.
Tecnologia.

Os animais, que não o homem,
também sofrem de tecnologia...
(agora me veio...)
...sofrem da tecnologia que os homens inventam.


George Ardilles

30 de outubro de 2009

George Ardilles recita "Salvador D'á Alí" no Café em Verso e Prosa

30 de outubro de 2009
 
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